Quarta-feira, 9 de Outubro de 2013

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Depois de engolir (não sucessiva, mas simultaneamente) cinco martinis e duas taças de

um espumante assombrado por um passado potencialmente problemático, ficou provado que o

meu fígado é uma merda tão pouco à vontade com estas coisas quanto o meu cérebro é com

outras. Mesmo assim, não vamos deixar estas sublimações para homens menos capazes. Até

porque uma burrice como esta nem sempre é facilmente executada. Adiante. Com um teor

alcoólico idêntico ao de qualquer homem adulto nos romances russos, tendo a ser keynesiano

por desafio e, sobretudo, deixando de lado meia dúzia de considerações sobre as quais eu ainda

tenho toda a razão, acabo de fazer uma check-list das estrelinhas e piruetas mal dadas pelo sr.

Art Buchwald neste gracioso livro. Ao que parece as nossas perplexidades são realmente muito

contagiosas. Mas já não tenho psicologia (ou seja:saco suficiente) para desmentir 32 aninhos de

azares contínuos. Daí que resumo (mas sem carinho) o que há por dentro daquele ar

determinado dele (dele Buchwald), como se cada risada fosse o cumprimento de mais uma etapa

na escavação do fosso gravitacional entre ele e o seu paciente e improvável leitor. Não preciso

lembrar a nenhum de vocês que o meu jogo-de-pés, a minha temida dancinha preliminar no

corner, é suficiente para boquiabrir qualquer criatura que, como Buchwald, não consiga

sobreviver à idéia de que mal lhe toquei. Mas neste caso, não há espaço para mais. Não que a

vida aqui neste blogue não seja uma forma atenuada de ménage à trois. Acontece apenas que

agora não tenho forças para explorar todas as maneiras possíveis de perder tempo (como se com

isto eu pudesse ainda balançar o coraçãozinho de cada um de vocês para o meu lado.) Não

posso. Ainda assim, não se preocupem. Os meus azares não pararão nunca de se fazer sentir.

Nem é preciso espetar o mundo na ponta de um alfinete.

 

P. S.: Qualquer dia ainda vou dizer bem do Samuel Fuller. O meu mau gosto começa a ter um

preferido, uma espécie de Lancelot para quem possa dar o braço ao passear.

acephalus às 03:04
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Outubro 2013